ESCREVER UM ROMANCE,POR QUÊ?
Talvez para melhor nos entendermos (eu a mim),ou para entender o outro(tu em mim),ou o mundo...seus significados...Escrevo porque necessito dessa revelação como do ar que respiro. Escrevo para descosntruir o real que é absurdo.Escritor é um oficio de garimpeiro a buscar preciosidades nos rios da alam;do mineiro no fundo das minas da mente;do camponês,na terra das paixões;do pescador nos oceanos tempestivos entre a razão e a paixão...Inutil escrever? Parece.A historia humana se registra mas,o escritor pouco a trasnforma.Mas pode provocar desafios e criticas.Os desafios da vida para o escritor são tantas quantas são as almas neste mundo(pois é nela que está a inspiração da criação literária. Das verdades e mentiras do mundo resta a reinvnçao desse mundo,o escritor pode faze-lo ,é sua profissão e arte faze-lo.Provocar é fazer a roda das emoção e da razão,girar! EXPLODIR a IMAGINAÇAO! INVENTAR UM MUNDO...SUBVERTER AS LEIS DESSE MUNDO,SE ESTE MUNDO ,POR TUDO QUE É SE FAZ INCOERENTE(?...).Entao,escrever é descobrir-se(me descobrir) no desconhecido do mundo e do outro nste mundo de crenças e nesta crença da ilógica. Estilo:ser sincero diante do que nos causa perplexidade! Vale. Esta é a minha opinião....que venham outras.
(...) “Desde a época de Cervantes, ao multiplicar ao mesmo tempo os autores e os leitores, o romance tornou-se um veículo democrático, um espaço de livre escolha, de interpretações alternadas do eu, do mundo e da relação entre o eu e os outros, entre tu e mim, entre nós e eles. A religião é dogmática. A política é ideológica. A razão deve ser lógica. Mas a literatura tem o direito de ser ambígua.
A ambigüidade em um romance talvez seja o modo de nos dizer que, uma vez que os autores (e, por isso mesmo, a autoridade) não são confiáveis e são suscetíveis de ser explicados de diversas maneiras, o mesmo acontece com o mundo. Pois a realidade não é fixa, é variável. Somente podemos abordar a realidade se pararmos de pretender defini-la de uma vez por todas. As verdades parciais oferecidas por um romance são um escudo contra os abusos dogmáticos. Por que, então, os escritores, considerados fracos e insignificantes no plano político, são perseguidos pelos regimes totalitários como se fossem realmente importantes?(...)
A ficção de Rabelais e Cervantes a Grass, Goytisolo e Gordimer é outra maneira de questionar a verdade, uma vez que nos esforçamos para atingi-la por meio do paradoxo de uma mentira. Essa mentira pode ser denominada imaginação. Pode ser considerada um espelho crítico do que passa a ser a verdade em um mundo de convenções. Ela certamente ergue um segundo universo do ser, no qual Dom Quixote e Emma Bovary têm uma maior realidade, não menos insignificante, que o batalhão de cidadãos encontrados na pressa, e tão rapidamente esquecidos, com os quais temos alguma relação. É verdade que Dom Quixote ou Emma Bovary iluminam, dão peso e presença às virtudes e aos vícios – a essas personalidade fugidias – de nossos encontros cotidianos.
Talvez o que Aqab (herói de Moby Dick, de Herman Melville), Pedro Páramo (do romance epônimo de Juan Rulfo) e Effie Briest (do romance de Theodor Fontane) possuam seja igualmente a lembrança viva das grandes, célebres e mortais subjetividades dos homens e das mulheres de que nos esquecemos, que nossos pais conheceram e nossos avós predisseram.
Assim como Cervantes respondeu à sociedade degradada de sua época pelo triunfo da imaginação crítica, também nos vemos diante de uma sociedade degradada sobre a qual devemos refletir, refletir de modo que ela se infiltre em nossas vidas, nos rodeie e até mesmo nos exponha à situação perene de reagir à passagem da história por meio da paixão da literatura.Em teu eu, vê o mundo. Neste, conhece-te
A ficção dá ao mundo sua cor, seu gosto, seus sentidos, seus sonhos, suas noites em claro, a perseverança e até a tranqüilidade preguiçosa da qual ele tem necessidade para continuar a existir
Penetre em seu próprio eu e descubra o mundo, é o que diz o romancista...”(..)
CARLOS FUENTES,ESCRITOR.
YOUTUBE:SEGUE.... David Bowie & Marianne Faithfull(gosto dessa provocaçao e subversao androgina do David e anti-dogmatica de marianne)
Escrito por LIV às 16h38
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